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31.5.12

Concepção imaculada

Finalmente consegui uma consulta com um médico daqui de perto, ainda hoje pela manhã. Chegando lá - e após esperar cerca de duas horas para ser atendida - o médico, que era uma espécie de House, sem jaleco, meio careca e com uma cara de serial killer, me chamou e trancou a sala. Então começou o exame.

- O que você tem no umbigo é normal, Mirian, e é provavelmente apenas uma reação à sua gravidez.
- Gravidez?
- É, explica todos seus sintomas: os desmaios, enjoos, ânsias, inchaço e até mesmo o umbigo, porque dependendo do organismo há reações adversas, e sendo que você faz tratamento para o colesterol congênito esse é um dos efeitos colaterais do remédio.
- Ok, doutor, sua teoria está perfeita a não ser por um detalhe: meu namorado e eu ainda estamos na 2° base e não há previsão de chegarmos à 3° tão cedo. Eu estaria grávida de quem, do vento?
- Mirian, todo mundo mente, mas você não precisa mentir pra mim. Eu fiz o exame, você está grávida.
- Você apenas apalpou minha barriga e ligou os pontinhos! Até eu sei fazer isso. Quero um exame de verdade. Não tem um alien crescendo dentro de mim, tenho certeza disso.
- Ok, faça esses exames então caso eu esteja errado. Você não tem irmãs nem conversa com suas amigas sobre isso, né? Isso dificulta as coisas mesmo. Mas tenho quase certeza de que você está grávida.
- De uma concepção imaculada? Sério? Porque a última vez que isso aconteceu um anjo avisou antes e houve toda aquela coisa da estrela apontando o caminho. Sei que Mirian e Maria são nomes com a mesma origem, mas acredite, eu não tenho vocação pra santa.
- Às vezes não precisa haver penetração pra que ocorra a fecundação. Basta uma mão na sua "hoo-hoo" (sim, ele disse isso!) que tenha tido contato com o líquido do seu namorado e esteja meio "melecada", com resíduos disso, para que haja uma fecundação. Isso é muito comum entre jovens, que são bem férteis.
- Eu não estou grávida.
- Ok, de qualquer forma faça esses exames pra checarmos suas taxas de colesterol, triglicerídios, exames de sangue, de urina... enfim, vamos fazer todos eles e depois você volta aqui para termos mais uma conversinha.
- Ótimo, doutor. Tenha um bom dia engravidando pessoas pelo poder da mente.

E foi aí que eu saí do consultório, bati a porta e desejei boa sorte à próxima paciente.
Porque há coisas que realmente só acontecem comigo. Mas pelo menos eu farei os exames e descobrirei o que tenho. Obrigada por todas as mensagens de apoio, pessoal.
E olha que eu consegui a proeza de engravidar sem fazer a parte mais divertida da coisa! Esse é aquele estranho momento em que eu me sinto como Finn Hudson e a gravidez por meio de uma piscina. 
Só pra constar pra quem ficou com dúvida se há um alien crescendo em mim ou não: não, não há. O médico estava dopado, apenas isso. 

29.5.12

Da série: coisas que só acontecem comigo

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(imagem daqui)

Sexta-feira passada eu saí da escola e fui na emergência do Hospital de Viamão para saber o porquê de meu umbigo estar liberando uma gosma estranha (é, eu sei que é nojento, mas não é tanto assim). Chegando lá a atendente se recusou a me atender, alegando que eu tenho apenas 15 anos e estava sem acompanhante e que isso é ilegal. Apesar de eu ter mostrado meu RG pra ela - que mostra claramente que eu tenho 18 e não 15 - ela recusou atendimento e disse que eu havia falsificado o documento (porque tem todo o sentido eu forjar um documento apenas para ver a cara deslavada daqueles médicos idiotas lá no hospital, com certeza). Enfim. 

Usando os meus poderes de argumentação eu consegui passar pela triagem. E o que a médica disse ao me examinar? Simples: 
- Tua temperatura tá 37,0 C°, tu não tá com febre. Teus batimentos estão a 85. O que te trouxe aqui? 
- Tá saindo uma gosma estranha do meu umbigo e por mais que eu limpe ela volta. Não me machuquei nem nada, por sinal. Ela simplesmente apareceu. 
- Isso não é emergência, isso é ridículo! Limpa com soro que passa. 
- Mas eu já fiz isso. Acha realmente que eu não sei como fazer uma limpeza, é? Ou acha que eu vim aqui apenas para admirar seus belos olhos castanhos (not)? 
- Vai pra o posto. Ninguém aqui vai examinar isso. 

Fui pra casa antes de bater na tal da médica - que por sinal entende menos de medicina do que eu. Passei o fim de semana de cama com dores abdominais e febre. Ontem, apesar disso, inventei de ir à aula. O resultado? Quase desmaiei de uma febre súbita na escola, coisa que não aconteceu porque minhas amigas me ajudaram. Fui pra casa e ao chegar me autoexaminei: o umbigo piorou. Meu pai fez um remédio caseiro contra infecções e eu fiquei quietinha, a maior parte do tempo dopada por algum remédio contra a febre. Mas aí eu percebi um inchaço abdominal e fui conferir: a região do umbigo inchou 4 cm de um dia pra o outro (sim, eu meço tudo desde sempre). E ainda falam que isso não é uma emergência. 

Estou relatando isso aqui porque caso eu desapareça do blog e/ou das redes sociais pode ser que eu tenha morrido pelo desleixo médico ou que eu esteja fraca demais para qualquer coisa, ou até mesmo (quem sabe?) fazendo algum tipo de exame. 
A loucura é que os médicos se recusam a me atender - sim, eu fui em mais de um, ao passo que minha mãe diz que tudo o que eu preciso é cantar pra Deus pra melhorar e meu pai diz que eu preciso é de um pensamento positivo, porque tudo é psicológico. Pois é. Então eu vou apenas ficar quietinha aqui, tomar algum chá e assistir Dexter - e, se eu me sentir bem, vir para o blog, que é muito mais interessante do que estar em uma cama cheia de ursinhos de pelúcia - até que meu pai consiga marcar uma consulta pra mim. 

Porque esse tipo de coisa só acontece comigo. Murphy realmente tem uma implicância muito séria comigo, pessoal. 

27.5.12

A verdade nua e crua

Sou viciada em verdade. Nasci sem o gene da autoanálise pra me indicar qual é a hora de fechar a boca e omitir alguma coisa - ou, no caso, mentir descaradamente sobre ela. Detesto mentiras, mas é fato que de vez em quando elas ajudam, e muito. É como Ailin Aleixo escreveu:
Mentira é um estrondoso tiro de fuzil. Honestidade absoluta, uma lenta intoxicação por chumbo. Mas ambas matam. 
Ela não poderia estar mais certa a respeito disso.
Eu ferro com tudo à minha volta desde que me conheço por gente apenas por causa dessa mania de verdade. Quer dizer, meus pais são gratos por eu ser totalmente honesta com eles - não que eu nunca tenha mentido, ou omitido, na verdade, mas enfim, isso é realmente raro de acontecer - porém, assim como isso é bom de um lado, me prejudica de outro. Que o diga meu caranguejo dramático.

Sim, ele é um drama só. E eu sei disso e estou bem com isso, mesmo. Meu jeito "tanto faz como tanto fez" lida bem com a melancolia dele e os ataques de "eu não sirvo pra nada, é melhor me suicidar". Eu lido bem com isso, mas ele não lida. Então, quando ele pergunta se eu já pensei em terminar com ele e eu respondo calmamente que sim, a coisa começa a desengrenar.

Mas caramba, sejamos honestos aqui: quem é que nunca pensou em terminar com alguém, mesmo que tenham se casado depois ou que tenham um relacionamento longo e bonito, quem nunca pensou em acabar com tudo e viver apenas para si mesmo? Isso é normal. Não faço ideia do porquê as pessoas ficam tão chocadas por eu falar disso com naturalidade, sendo que isso é natural. O ser humano é egoísta por natureza e quando a situação fica tensa um dos primeiros pensamentos que vêm à mente é: e se eu terminar tudo e fazer outra coisa com a minha vida, será que não seria melhor?

Sim, mentiras matam e eu acredito nisso. Sinceridade também mata. E se tudo mata, pra quê ficar de mimimi por aí? Vamos apenas celebrar a droga da vida que temos agora, e as pessoas que aprendam a lidar com a verdade ou que se escondam em mentiras. Quer dizer, é claro que é legal aprendermos a lidar com algumas coisas também. Mas se tudo choca, magoa, ofende - não importando se é verdade ou mentira - então vamos apenas parar de hipocrisia e aceitar o fato de que o problema não é a mentira ou a verdade, o problema é que a pessoa não está preparada para um relacionamento.

Deveria existir uma cláusula num contrato de relacionamento (de qualquer tipo de relacionamento) que dissesse o seguinte: "eu, _______, atesto que estou completamente ciente de que _______ é uma pessoa que pode tanto mentir quanto falar a verdade nua e crua assim como qualquer outra pessoa, portanto prometo que agirei racionalmente e não darei chiliques histéricos por ouvir uma verdade (talvez se for uma mentira eu dê, dependendo do grau da história), até porque eu não sou perfeito e vivo escondendo coisas da minha namorada."

Simples assim. Eu ficaria mais contente, ele também e todos poderíamos fazer uma grande festa na qual só tocasse Mika, Freddie, Barbra, entre outras divas do reduto.
Pessoal, nem tentem entender nada, porque eu estou com uma febre altíssima e tendo delírios com elefantes cor-de-rosa e duendes na minha janela conversando comigo (sério, e o Mika está aqui também, acompanhado do Freddie dos anos 70 conversando sobre como eu tenho jogado meu potencial fora), portanto devo ter escrito algo sem sentido. Porém não estou a fim de revisar. Preciso de outra dose de remédio. Bye. 
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(imagem daqui) 

24.5.12

Enquanto isso, na aula de Botânica...

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Minhas amigas (Pocahontas, Isa e Milla), eu e mais duas turmas do 2° ano estávamos tendo uma aula prática de Botânica, identificando tipos de flores, frutos, raízes, caules e toda aquela coisa verde e nojenta que chamam de natureza (eca). O passeio estava divertido ao redor da escola, com a professora nos guiando e fazendo perguntas randômicas.

Até que ela (a professora) fala o seguinte:
- (...)porque as flores são os órgãos sexuais das plantas. É através das flores que as plantas se reproduzem.
Aí eu comecei a ficar vermelha e gargalhar (fico vermelha por nada), então as meninas perguntaram:
- O que tu tem, Mi? Tá se sentindo bem?
- Vocês não ouviram o que ela falou, não? As flores são os órgãos sexuais das plantas. Isso é nojento. Tá aí a explicação pra minha ojeriza por flores. Eca.
- Ai, Mi, não acredito que tu vai fazer piada com isso.
- Mas é verdade, gente! As flores ficam se pegando quando as pessoas fazem um buquê, caramba! Assim, ao ar livre.
- Ah, meu Deus!
- Pensem comigo: elas estão se reproduzindo ao ar livre. Se nós fizéssemos isso, seríamos presos. A natureza é meio que nojenta. E o pessoal que come flores, então? Eles estão comendo os órgãos sexuais das plantas, caramba!
- Bah, mas então aquela flor (ela aponta para uma orquídea) é um macho que tá comendo a fêmea? Vai dizer que eles tiveram um romance também, é, Mi?
- Não, porque não é o macho que come a fêmea. Só o papo de comer já está errado, porque seres vivos não são alimentos - se bem que nos alimentamos de cadáveres de seres vivos e estamos bem com isso na maior parte do tempo, mas creio que isso não se aplica ao ser humano. Mas caso alguém fosse comer alguém, seria a fêmea que o faria.
- Por quê? Tu tá louca, é? Sabia que aquele tombo tinha te afetado...
- Pensa comigo: nós nos alimentamos com a boca, certo? Se nós comemos com a boca, e a boca é um buraco, então é a mulher que come alguma coisa aqui, porque a mulher é basicamente uma série de buracos, enquanto que o homem é apenas um encaixe. É que nem as pecinhas do Lego. Verdade.
- Meus ouvidos estão sangrando! Mia, tu não era assim!
- Eu sempre fui. Pergunta pra Rafa que me conhece há 6 anos. Né, Rafa?
- Bah, vocês nem imaginam como ela era aos 14 anos...

E esse é um dos tantos diálogos mais-com-pé-do-que-com-cabeça que eu tenho durante as aulas. E sim, eu sou assim o tempo todo. Pergunta pra elas: eu já fui pior. ☺
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18.5.12

Muita água com açúcar

É muita água com açúcar pra minha acidez suportar.
Ando inquestionavelmente mais romântica e repetitiva. Chata, nojenta e excruciante (às vezes). O porquê disso? "...tem a palavra saudade, que outras terras não têm." Sim, eu estou citando um poema, pra vocês verem o grau da melosidade aqui.
O motivo de ter mais açúcar do que água (e limão) no meu doce? Simples: um mês sem ver meu namorado (não, você não leu errado: eu realmente disse "um mês", 30 dias, 4 semanas).

E o que acontece quando uma criatura ácida e alheia que nem eu fica com saudade? Nada. Exatamente, "nada" acontece, ou seja, eu não consigo escrever direito, me concentrar direito, falar de algo que não seja isso... eu viro uma coisa a toa que pinga mel por onde vai. Eu fico praticamente imprestável quando sinto falta de alguém. Ok, não imprestável. Mas eu perco a minha melhor qualidade (ou será um defeito?) que é a acidez. Caramba, eu adoro ser a menina esquisita que fala coisas ácidas. É tri. Só que não é assim quando eu tenho um buraco dentro do peito que pede pra ser tampado. Mas cadê o encaixe da coisa? Está a milhas e milhas de distância.

Tenho escrito mais do que nunca. Mas nada que me satisfaça. E se o texto não é verdadeiro, não vem da alma, não é tirado do âmago do meu ser, então ele não presta. Ao menos não pra mim. E meu âmago está vazio porque parte de mim está longe (sim, isso é piegas, mas é verdade; ele se tornou tão parte de mim que eu não consigo nem ao menos pensar em mim mesma sem que meu pensamento esteja conectado a ele). Entenderam o drama (sim, eu posso ser extremamente dramática quando eu quero ser)?

Só há uma solução para isso: a morte!
Estou brincando. Não vou cortar os pulsos com bolacha Maria mergulhada no leite. De fato a solução é bem mais clichê e poética do que isso: tempo. Tudo passa, tudo é fase, tudo muda. E as coisas vão se resolver. Talvez não hoje, talvez não essa semana, mas tudo dará certo no final (a não ser que você esteja em um filme do Woody Allen, aí, meu amigo, você vai se ferrar).
Enquanto essa saudade não passa eu fico aqui brincando com meu buraco aberto no peito. Sabe que ele até é simpático?

Muita água com açúcar (e duas gotas de limão) pra essa menina se restabelecer.
(imagem daqui
Nevermind, pessoal: minha inspiração voltou agora que eu fiquei sabendo que o verei no domingo. Então serão "apenas" 3 semanas longe um do outro. Não me esperem online. *-* 

14.5.12

Amor sadomasoquista

Confesso: eu amo te ver sofrer. É a combinação perfeita: você, tão masoquista e eu, tão sádica. Tão perfeita que não deu certo.
Perfeição demais me dá agonia. Sempre deu. Mas você sempre soube disso. Sempre soube da minha autossabotagem e do quanto eu me divertia em te fazer sofrer. Sempre soube do meu sadismo, da minha alegria em manipular as situações. E você gostava. Amava. E ainda ama. Só que agora, eu mudei.

Dizem as más línguas que as pessoas não mudam. Eu digo que elas são idiotas. Se eu - a quem você chamava carinhosamente de "vadia manipuladora", por influência de House M.D., é claro - pude mudar e deixar meu lado sádico pra lá, é claro que todos podem. A diferença é que nem todos querem.
Sim, eu sei que você quis, por um tempo, ser alguém melhor. Um cristão convicto - se bem que você só fez afirmar suas práticas masoquistas com isso, não é? - que se deleita em viver num estado de "pureza" espiritual. Mas também sei que é pra mim que você liga à noite quando quer experimentar tentações.

Nenhuma pessoa me conheceu da forma como você o fez. Você sabe a meu respeito coisas que eu nunca revelei - e que, de fato, nem precisei, pois nossa conexão era tão forte que apenas um olhar bastava para que tudo fosse apurado - e nem revelarei. Mas você não me conhece mais. Não conhece o meu novo estado de ânimo, minha paciência há muito cultivada, minha leveza pelas coisas pesadas da vida. Não conhece meu amor pela humanidade, meu desprezo por suas atitudes e nem minha força de vontade. Você conheceu o que há de mais detestável e obscuro em mim. Você foi até as profundezas da minha alma e viu a escuridão que lá pode habitar. Mas não conheceu meu lado luminoso, minhas paisagens, meu encanto pela vida.

Sim: eu ainda amo te ver sofrer. Porque, após sofrer feito o cão em suas mãos, eu aprimorei a técnica sádica, mas a destinei apenas a uma pessoa: você. Afinal, só um cara muito, muito estúpido se autossabota a ponto de ser largado por mim. Por isso nosso amor meio sádico, meio masoquista, sadomasoquista, não deu certo. Nunca daria. O que é muito perfeito e muito extremo sempre arrebenta. E a corda arrebentou pra o lado mais fraco: o seu.

Como você - cristão convicto e aspirante a santo - me diz em suas desesperadas ligações à noite: eu desandei e virei essa coisa que consegue viver na ausência de ciúme e em um relacionamento saudável, virei essa coisa que só escreve e ri do que você faz. Porque você é e sempre foi um idiota. Nunca passará disso. Sim, eu desandei. Mas é como papai sempre diz: "quem anda na linha, o trem pega". Aceite o fato e viva sua vida de "pureza" longe de mim. Pois eu, meu bem, prefiro muito mais uma luxúria em escarlate do que uma vida de pureza em branco. 

11.5.12

Mania de psicopatia

Tenho andado irritada. Extremamente irritada (nem tanto, mas eu tenho o dom de elevar qualquer coisa à potência quando estou de TPM). O porquê da minha irritação? Simples: a mania de psicopatia.
Vou explicar: tenho notado que as pessoas "leigas" (ou seja, pessoas que não entendem nada de nada de psicologia e só sabem que Freud tem algo a ver com isso) têm usado muito a palavra 'psicopata' ultimamente, tanto na vida real quanto em novelas (em filmes eu ainda não percebi isso acontecer com frequência; ainda). Elas costumam chamar - e "alertar" a outras pessoas sobre o perigo iminente de se conviver com um espécime de Hannibal Lecter - qualquer um que seja inteligente, sarcástico, mais reservado, quieto, de psicopata. Ou até mesmo pessoas dotadas de um mau caráter de psicopatas. E isso irrita. Psicopatas não são tão fáceis de se identificar assim, mesmo para um psicólogo ou um psiquiatra, que o fará para quem não entende nada disso.

Por que isso me irrita tanto, afinal? Deixa eu contar uma historinha idiota: quando eu me separei do meu ex¹, ele se aproximou de um ex amigo metido a psicólogo (amigo esse que tinha rompido relações comigo após eu descobrir que ele é gay, e ele havia ficado com medo de que eu revelasse para sua família, etc) e os dois começaram a compartilhar coisas (entendam como quiserem), etc. O fato é que o tal do ex amigo metido a psicólogo conseguiu convencer meu ex¹ de que eu sou uma psicopata, baseado em meu jeito sarcástico, meu alheamento e ao fato de poucas pessoas "boas" (lê-se: bons crentes que apenas zelam por suas igrejas - e sim, isso é uma ironia) gostarem de mim. Então, baseados em livros de "como identificar o psicopata ao seu lado", eles espalharam para todos que me conheciam a grande revelação de que eu sou uma versão feminina de Hannibal Lecter (sim, essa é a parte em que eu dou uma gargalhada maníaca e expresso meu eterno desprezo por esse dois).

Então, sim, eu me irrito quando ouço alguém chamar algum indivíduo de psicopata sem ter a mínima noção do que realmente é isso. Uma dica apenas: se seu conhecimento de psicopatia se resume a filmes do Dr. Lecter, você deveria desistir de diagnosticar as pessoas. Seria a mesma coisa que assistir House M.D. e sair diagnosticando as pessoas pela rua e querendo fazer punção lombar em todo mundo. Não dá, gente.
Então, façamos o seguinte: deixemos os diagnósticos pra os que realmente entendem disso, e vamos - adivinha? - viver a nossa vida sem-sal-nem-pimenta, ok? (sim, hoje estou sarcástica ao extremo)
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Então, eu fiz uma lista de - adivinha? - como ser um psicopata na visão de pessoas que não têm mais nada para fazer de suas vidas insossas (vulgo: idiotas)! 
  • Seja sarcástico e não se intimide com o que as pessoas fazem ou falam.
  • Não dê a mínima para "mimimi's" de pessoas idiotas que fazem drama com tudo. 
  • Seja objetivo. 
  • Não seja emotivo e não faça uma tempestade por qualquer coisa.
  • Fale pouco e observe. 
  • Leia... bastante. 
  • Tenha uma boa memória e percepção (seja detalhista, ouça tudo com atenção). 
  • E o mais importante: seja você mesmo. Afinal, sempre acham que tem algo de errado com alguém que não dá a mínima para o que os outros pensam, não é? 
Seguindo essas dicas, provavelmente vocês terão uma reputação tão péssima quanto a minha. Ou não. Afinal, quem manda eu ter me envolvido com pessoas metidas a santas e pudicas, não é? Azar o meu.
(Mia Sodré está mais ácida do que nunca.)

8.5.12

Zumbitomizada

Era escuro - 21:00 hrs - e todos estavam em suas casas assistindo à novela. Eu precisava comer e sentia uma fome absurda, mas havia algo naquela televisão que me prendia, algo que alienava. De repente algo começa a sair da TV (não, não era a Samara Morgan), algo que parecia ser uma gosma verde. Porém aí eu percebi: a "gosma" não saía de dentro da TV, ela era a própria TV que estava derretendo!
Comecei a correr até o portão. Pulei o grande portão de ferro e saí correndo até a casa de meu irmão à procura de carne - sim, eu estava com muita fome. Infelizmente meu apetite não pôde ser saciado, pois a carne também havia virado uma gosma verde. E foi aí que eu percebi: metade da cidade havia se transformado em zumbi e eu havia sido infectada por um vírus que saía de dentro da TV e alienava as pessoas, as transformando em zumbis comedores de gosma verde.
De repente, eu acordei.
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Não, eu não gosto de zumbis. Nunca fui fã de filmes sobre eles, nunca achei legal brincar de matar zumbis em videogames e não espero ansiosamente pelo tal de Apocalipse Zumbi. Não penso a respeito e na maior parte do tempo, esqueço que esse assunto existe. Não faço a mínima ideia do quê me fez sonhar que eu estava sendo zumbitomizada (a versão zumbi de "lobotomizada") ou que a TV havia transmitido esse vírus (ok, a parte de as pessoas terem sido transformadas em zumbis através da alienação feita pela televisão eu entendo) ou o porquê de estar com uma larica enorme no sonho e ir atrás de carne ensanguentada (seria isso uma mistura de vampiros com zumbis e Samara Morgan? Gostei.). O fato é que esse sonho me fez pensar em uma simples teoria do porquê as pessoas gostam tanto de zumbis

Pessoas gostam tanto de zumbis e anseiam por um Apocalipse Zumbi por um simples motivo: se outras pessoas de quem elas não gostassem virassem zumbis, elas poderiam matá-las, esquartejá-las, triturá-las ou fazer o que quiser com elas (inclusive dar um banho de óleo fervente) sem que ninguém as condenasse por isso. Ou seja, tudo não passa do instinto básico de violência e ódio. Ou vingança. 
Resumindo tudo: isso daria prazer a elas (ok, confesso que eu não teria nenhum prazer em matar um zumbi, já que isso seria no mínimo nojento, mas enfim, estou segundo o raciocínio dos zombiemaniacs). 
Todos os seus inimigos zumbis poderiam ser assassinados sem que você fosse preso e as pessoas ainda te chamariam de 'herói' por isso! 

Pensando bem, um Apocalipse Zumbi seria até legal. Ou não. 

3.5.12

Clarissa

Ela gostava de si mesma. Talvez não como outras meninas - que costumam idolatrar a si próprias - o faziam, mas ela tinha um enorme orgulho de ser quem era. Orgulho esse cultivado após sobreviver a vários traumas que a deixaram incapacitada, desasada, com vontade de sumir.
Clarissa era assim: uma menina leve que poderia facilmente passar despercebida pela multidão (coisa que ela tentava ao se esconder em enormes moletons e cachecóis bregas); poderia sim, se não fosse por aqueles olhos que exprimiam sempre algo muito profundo, algo de saudoso, algo de melancolia, algo de dor. Aqueles olhos com que ela enxergava o mundo não eram os mesmos com que ela enxergava a si própria. Clarissa se via como uma menina desajeitada, fraca, um pouco esperta talvez, mas desatenta demais para coisas práticas. Se via como se veem os artistas de circo, como uma pequena equilibrista de nariz rosado e mãos pequenas.

Qualquer um que visse Clarissa percebia na hora que ela - apesar do sorriso meia-lua que costumava estar estampado em seu rosto, indicando um desejo de felicidade, um esforço de ajuste - não era uma menina comum. Ela se esforçava, é claro, para desaparecer. Desaparecer, apenas isso. Coisa que - infelizmente - não conseguia. Seus olhos revelavam sua dor, sua intensidade, e mesmo quando ela sorria havia algo nela que fazia com que seus grandes olhos - dotados de um verde amazônico - marejassem, se tornassem rasos d'água e se perdessem em pensamentos, coisa que a frustrava por demasia.

Suas mãos delicadas e finas logo tratavam de enxugar qualquer resquício de lágrima que pudesse haver, e fazia questão de dizer: "são apenas lágrimas da rinite, nada de mais, não se preocupem", mas a verdade é que havia muito com o que se preocupar, mas ela não suportaria ser tratada com piedade ou até mesmo ser um fardo de preocupações para outras pessoas. Assim, se escondendo sempre em algum cachecol brega e em um moletom desbotado, Clarissa continuava a caminhar. Sua dor ela escondia o máximo que pudesse, mas infelizmente seus olhos sempre deixariam algo de melancólico na atmosfera, mesmo que seu sorriso de meia-lua fosse o mais radiante do local.
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1.5.12

Do encanto quebrado

Muitas vezes nós idealizamos as pessoas. Construímos personagens em cima de um molde pré-determinado e ali colocamos as coisas conforme gostaríamos que fosse, montando assim a pessoa ideal. E isso é algo normal, principalmente quando se gosta de alguém. Nós idealizamos demais e esse é o problema. Pessoas reais vêm com uma série de defeitos que - apesar de nos esforçarmos - não batem com nosso gênio. E aí, quando você finalmente dá de cara com a realidade dos fatos, o encanto quebra. Quebrou, já era, é passado agora.
Eu detesto idealizar algo, que o fará pessoas. E eu fiz isso. Anos sem fazer isso, anos sem cair no erro de idealizar alguém, e o que acontece? A maluca decidiu - inconscientemente - idealizar novamente. Eu não apenas acreditei em algo que não era real como também sou muito pirada por ter criado toda essa irrealidade. Eu me enganei por querer me enganar. Desejei tanto que preenchi as lacunas do nosso relacionamento sozinha. É como Tati Bernardi escreveu:
"Não lido bem com nada que não seja eu em minha bolha arejada de imaginações. Mentira, não lido bem com minha bolha arejada de imaginações também. Não lido bem com nada."
E agora tenho de processar que a realidade não é como era na minha linda bolha de imaginações e que o maior problema é que eu imagino demais. E exijo demais. Eu sei. Eu sei que eu sou a louca exigente que aprendeu a ser sempre a melhor em tudo o que fizesse, que aprendeu a se superar em tudo e a sempre buscar o melhor das pessoas, o mais escondido. Mas caramba, às vezes simplesmente não há um melhor! Às vezes as coisas são simples e eu complico tudo, complico até o descomplicado, o resolvido, o básico do básico. Faço da minha vida uma novela mexicana só pra não cair no abismo da realidade, só pra não ser mais uma pessoa infeliz, como se minha infelicidade fosse mais especial do que a daquele menino que passa por mim todos os dias durante minha caminhada matinal. Mas não é. Eu estou ferrada, mas fui eu mesma quem me ferrou.

Eu simplesmente não lido com algumas coisas. Evito o que posso, ou - quando não consigo escapar dentro da minha muito fértil mente - dou uma resposta rápida e sarcástica e viro a página. Jurei pra mim mesma que minha vida não seria chata. E ela não é. Nem que eu tenha de viver dentro de mim mesma. Só que relacionamentos precisam de espaço, coisa que eu não tenho. Mal caibo dentro de mim mesma, como então poderei ter espaço para um relacionamento saudável? Não dá. Mas tem que dar. Só não sei como.
E tudo tá certo, mas aquela vozinha interior fica me dizendo que há algo muito, muito errado nisso tudo. E eu vou procurando e cavocando e indagando e indo até o subsolo do subsolo apenas para achar algo que justifique essa minha agonia. E quando acho eu me desespero, porque a ficha cai. O encanto quebra.

E amor, o encanto quebrou. Nosso encanto quebrou. A minha bolha - que eu cuidava com tanto carinho - estourou. E minhas idealizações foram pra o saco. Mas olha, nessa bagunça toda da minha falta de jeito com o mundo real e com seus defeitos e com toda essa tristeza que há em ver as coisas como elas são, ainda há um lugar que é só seu, viste? E apesar de eu sempre ter achado bobo quando os casais apaixonados falavam coisas como "você está no meu coração", dessa vez eu preciso dar o braço a torcer e dizer: caramba, Johnny, que se danem os seus defeitos e que se dane esse personagem quase-perfeito que eu criei, porque você realmente - o "você" real, não o que eu idealizei - está no meu coração. Porque quando eu penso em você eu sinto aquele calor gostoso no peito, aquela sensação de aquecimento, de carinho, de uma coisa boa, de -adivinha? - amor.

Você quer - todos querem, não é mesmo? - ser amado exatamente pelo que você é, seja dramático, inseguro, odiando a si mesmo, cheio de defeitos ou até mesmo de um silêncio cheio de suspiros profundos. E cara, eu preciso lhe dizer: amo sim. Amo. Só queria que o encanto tivesse durado um pouquinho mais. Queria que pudéssemos ter aproveitado mais a fase de encantamento, porque agora você desencantou e nosso relacionamento finalmente parou de usar fraldas e começou a falar, e a falar alto. E a exigir mais - mais dedicação, mais compromisso, mais coisas sérias, mais futuro - e a querer comida de verdade ao invés de leite materno. Mas quer saber? Que cresça. Eu quero que cresça. E quero crescer junto também. Porque eu já passei da fase de me autossabotar apenas por ser uma menininha e por ter toda uma vida pela frente para corrigir meus erros. Caramba, o futuro já está aí e eu quero viver a minha droga de futuro com você. E se pra isso eu tiver de me livrar do meu personagem que me protege da realidade, se pra isso eu tiver de crescer e encarar a realidade de que a vida não é lá tão bonita ou tão mágica como eu acreditava ser, que seja. Vamos crescer. Vamos deixar esse relacionamento virar gente grande e ser um personagem maior. Não apenas eu e você, mas sim "nós". Somos só nós, baby, nós e um futuro cheio de obstáculos, silêncios e cumplicidade pela frente.
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